11 Jul 2017

Exportações de calçados fecham semestre no azul

 

Contrariando os prognósticos do início do ano, carregados com a crise econômica e a instabilidade política – que tinha efeitos diários no câmbio -, as exportações brasileiras de calçados cresceram no primeiro semestre do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre janeiro e junho foram embarcados 59,36 milhões de pares que geraram US$ 528,8 milhões, números maiores tanto em pares (2,5%) quanto em receita (17%) no comparativo com igual período do ano passado. Somente no mês seis foram embarcados 10,2 milhões de pares que geraram US$ 87,4 milhões, altas de 9,8% e 4%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2016.
 
O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que o número surpreende positivamente. “Os números, felizmente, quebraram o nosso prognóstico, que no início do ano era melhor para o mercado interno do que para as exportações, visto a instabilidade do câmbio”, avalia.

Segundo o executivo, a explicação para o incremento passa pela diversificação de mercados – menor concentração em determinados países, como os Estados Unidos, por exemplo - e aos esforços das empresas brasileiras no fortalecimento de imagem e marca além-fronteiras. “A indústria calçadista vem fazendo a lição de casa, cortando custos, buscando a manutenção de preço e diversificando mercados. Em 15 anos, passamos de 99 destinos para quase 160, é um salto impressionante e que certamente influencia nesses números positivos”, explica Klein, ressaltando que a desvalorização do dólar fez com que o preço do calçado brasileiro aumentasse quase dois dólares por par, “número que seria maior não fosse o esforço das empresas”.

Destinos
No semestre, o principal destino do calçado brasileiro foi os Estados Unidos, para onde foram embarcados 5,5 milhões de pares por US$ 95,88 milhões, quedas de 11,7% em pares e 6,5% em dólares na relação com igual ínterim do ano passado.
 
O segundo destino foi a Argentina. Nos seis meses, os hermanos compraram 4,23 milhões de pares que geraram US$ 64,66 milhões, altas de 27,2% em volume e 56% em dólares no comparativo com o mesmo período de 2016.
 
O terceiro destino do semestre foi o Paraguai. Conhecido como comprador de produtos de verão, chinelos e sandálias praianas, o país vizinho comprou quase 7 milhões de pares no período, o que gerou US$ 43 milhões para os calçadistas brasileiros, queda de 8% em pares e aumento de 105,3% em dólares no comparativo com o primeiro semestre do ano passado.
 
RS: o maior exportador do Brasil
No semestre, o Rio Grande do Sul seguiu como o principal exportador de calçados do Brasil. No período, os gaúchos embarcaram 13,53 milhões de pares por US$ 222,34 milhões, incrementos de 4,3% em volume e de 14% em receita na relação com o ano passado.
 
O segundo maior exportador, em receita, foi o Ceará. No semestre, os cearenses embarcaram 22,4 milhões de pares por US$ 129,23 milhões, altas de 5,6% em pares e 10,6% em dólares em relação ao mesmo período de 2016.
 
No terceiro posto apareceu São Paulo. No período, os paulistas exportaram 4,2 milhões de pares que geraram US$ 61,33 milhões, queda de 18% em volume e alta de 11,3% em receita no comparativo com o ano passado.
 
Importações
O semestre terminou com uma recuperação das importações de calçados. De olho na lenta - mas consistente - recuperação da demanda interna, a entrada de calçados também foi favorecida pela desvalorização do dólar, o que tornou o produto estrangeiro mais barato no Brasil. Nos seis meses entraram no Brasil 13 milhões de pares de calçados, 4% mais do que no mesmo ínterim do ano passado. Em receita, porém, o número foi 0,3% menor no mesmo comparativo, fato explicado pela queda no preço médio do produto comprado do exterior (de US$ 13,93 para US$ 13,33).
 
As principais origens das importações foram: Vietnã (5,33 milhões de pares e US$ 98,78 milhões, altas de 2,3% em pares e 1,2% em dólares na relação com o primeiro semestre do ano passado); Indonésia (2 milhões de pares e US$ 33,32 milhões, quedas de 4,7% e de 9,8%, respectivamente); e China (4,2 milhões de pares e US$ 17,53 milhões, alta de 0,2% em volume e queda de 9,8% em receita).

A surpresa foi a Itália. Exportando produtos de alto valor agregado – com preço médio de quase US$ 125 o par – os italianos embarcaram para o Brasil 78 mil pares por US$ 9,75 milhões, altas de 23% em volume e de 29% em dólares na relação com 2016.
 
Em partes de calçados – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc – as importações caíram no primeiro semestre do ano. No período entrou no Brasil o equivalente a US$ 19,78 milhões, 19% menos do que em 2016. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

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